Ana Cristina Tanus Paula com a família
Arquivo pessoal- Divulgação
Na casa de Ana Cristina todos tiveram sintomas leves da Covid-19, menos ela que apresentou falta de ar, olfato e paladar por causa da doença


Tossir logo na entrada de um dos hospitais onde trabalha foi o suficiente para a chefe da fisioterapeuta intensivista Ana Cristina Tanus de Lima Palma identificar que ela não estava bem. O que seria um dia normal de trabalho naquela manhã do mês de março mudou completamente a partir dali. Embora tenha resistido a fazer os exames, a fisioterapeuta – que mora e trabalha em Guarulhos – foi convencida e cedeu à insistência de sua coordenadora. Além de exames de imagem, foi colhido sangue para detecção da Covid-19. O resultado ficou pronto no dia seguinte e a notícia era preocupante: Cris testou positivo, estava infectada pelo novo coronavírus.

Antes mesmo do resultado sair, Cris foi afastada das funções nos dois hospitais privados onde trabalha e orientada a permanecer em isolamento social. A preocupação da fisioterapeuta de 34 anos, que atua na área desde 2008, era com o casal de filhos (Ana Clara e Pedro Henrique, 3 e 9 anos de idade, respectivamente) e com o marido Darlan. “Tive medo de que meus filhos e marido ficassem doentes, de ter transmitido a doença para minha mãe, de ser entubada, de ficar internada, fiquei realmente com muito medo”, conta a profissional de saúde.

O medo tinha razão de ser. Todos acabaram contraindo a doença, mas a Covid-19 não se manifestou de forma agressiva nas crianças ou no marido. Cris foi quem mais sentiu o poder de enfraquecimento que o novo coronavírus produz no organismo. Começou com a tosse seca, depois apareceu a anosmia (perda de paladar e de olfato) e em seguida dores de cabeça e cansaço. “Sentia muita falta de ar, depois do 3º dia piorei muito e meu medo de precisar de internação foi aumentando”, revela. Ela lembra que os remédios comuns para dor de cabeça não aliviam o incômodo e ela precisou ir ao hospital para ser medicada.

Durante o tempo de recuperação, recorda a fisioterapeuta, a sensação de falta de ar foi aumentando. “Fiquei quatro dias apagada, desacordada mesmo, com o corpo dolorido, cansada”. O que ajudou muito na convalescença foram os exercícios respiratórios que ela conhece bem e aplica em seus pacientes. Cris garante que a pior fase da doença foi entre o 3º e 10º dias, depois disso a recuperação foi mais rápida e ela pode retornar ao trabalho já no 12º dia.

Unidos

Relembrando o período de isolamento, a profissional de saúde conta que assim que soube do contágio passou a investigar mentalmente todos os procedimentos que fizera para tentar encontrar onde supostamente poderia ter errado e se contaminado. Não encontrou resposta. Ela explica que contraiu a doença bem no início da pandemia período em que até os protocolos de atendimento ainda estavam sendo discutidos e revistos no Brasil – apesar dos conhecimentos adquiridos com as experiências de países como China e Itália, por exemplo.

Como tudo tem um lado positivo, a fisioterapeuta já bem recuperada e em plena atividade para ajudar outros pacientes na mesma situação conta que “a quarentena, de um certo modo, fez minha família se unir mais. Fazemos jogos em família, quebra-cabeça, vemos lives”, conclui.

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