Retorno dos colombianos a Bogotá
Divulgação/Conectados do Terceiro Setor
Embarque no Aeroporto de Guarulhos foi na tarde de quinta-feira; em Bogotá o grupo terá de cumprir quarentena em hotel da capital colombiana


Parte dos colombianos acampados no Aeroporto Internacional de Guarulhos há 20 dias conseguiu passagem e retornou a seu país de origem na tarde de quinta-feira (4). De acordo com informações da ONG Conectados do Terceiro Setor, 30 das cerca de 280 pessoas instaladas no Terminal 2 do Aeroporto de Cumbica foram contempladas num voo humanitário da Avianca. Os bilhetes e hospedagens foram conseguidos em vaquinha virtual organizada na Colômbia e a escolha dos premiados foi feita por meio de sorteio.

“Nessa primeira leva foram alguma crianças e senhoras. Teve família que precisou escolher quem iria, numa delas a filha de 14 anos viajou e os pais ficaram”, conta Ricardo Martins, da ONG Olhar de Bia, uma das ONG que compõem o grupo Conectados do Terceiro Setor. Martins não soube informar se a vaquinha prossegue e se novos voos conseguidos dessa forma partirão nos próximos dias.

“A gente não sabe se isso vai acontecer, torcemos para que aconteça. Por outro lado, estamos tentando viabilizar parcerias” para conseguir 80 toneladas de combustível de aviação e as estadias das pessoas. De acordo com ele, uma companhia aérea se dispôs a levar o grupo se esse abastecimento for garantido.

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Além dos acampados no aeroporto, seguiram no vôo outros 176 colombianos que moravam em São Paulo. Esse grupo conseguiu comprar as próprias passagens e custear a estadia da quarentena em hotel de Bogotá. O vôo trouxe ainda 24 compatriotas vindos da África do Sul.

Entenda

De acordo com o grupo instalado no aeroporto, as autoridades da Colômbia no Brasil estão cobrando cerca de US$ 400 (cerca de R$ 2,2 mil) por pessoa para providenciar um voo fretado e pagar as despesas com acomodação e alimentação do grupo em Bogotá durante a quarentena de 14 dias, obrigatória para qualquer um que entre no país durante a pandemia. Incapazes de pagar esse valor, as pessoas permanecem vivendo nos terminais em condições precárias que impossibilitam o isolamento social. Para evitar contágio pelo novo coronavírus, os acampados contam com máscaras e álcool gel, muitas vezes fornecidos pela concessionária, e medem regularmente a temperatura em termômetros disponibilizados no aeroporto para todos os viajantes.

Consulado

O governo colombiano, por meio de seu consulado, em São Paulo, divulgou nota em que afirma que organizou três vôos de retorno a compatriotas que estavam no Brasil – um dos quais pago por uma agência de viagem para turistas que tinham passagens compradas e não conseguiram embarcar). Esse voos anteriores transportaram, de acordo com a nota, 346 pessoas.

O consulado afirma ainda que foi avisado da existência de um grupo pequeno de concidadãos no dia 17. Os colombianos acampados no aeroporto estavam solicitando retorno ao país por voo humanitário, sem nenhum custo, e que diante do cenário de pandemia a repatriação gratuita não seria possível. O Consulado lembra que no início da reivindicação havia um grupo pequeno composto por 21 pessoas que passou a ser de 46, depois de 86 até chegar aos números artuais. O governo colombiano afirma, na nota, que a maioria desses concidadãos tem residência em São Paulo ou tem local onde passar a noite. Também informa que tentou negociar  a ida dessas pessoas para abrigos em Guarulhos e São Paulo, mas que a oferta foi recusada.

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