Traçado da Linha 19-Celeste que interligará Guarulhos a São Paulo
CPTM/Metrô
Traçado da Linha 19-Celeste em sua primeira fase, interligando Guarulhos e o centro de São Paulo.


Mais uma vez o projeto de linha de metrô ligando Guarulhos a capital foi adiado. O problema para a chamada Linha 19-Celeste começar a sair do papel dessa vez foi um questionamento feito ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), na sexta-feira (15), pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), que reclama da opção pelo menor preço no edital.

A entidade discorda do formato do documento público, que prevê a escolha da empresa que oferecer o menor preço. De acordo com informações do Metrô, para o Sinaenco a empresa vencedora precisa também atender “o interesse público da maneira mais eficiente e produtiva: de nada adianta obter um preço em tese vantajoso e se contratar um serviço completamente ineficiente e prestado com falhas”.

Ao receber o questionamento, O TCE interveio e pediu a suspensão da licitação que apontaria a empresa a desenvolver o projeto básico. O edital havia sido lançado pelo Metrô em fevereiro e teve a data de abertura das propostas alterada duas vezes, com a previsão mais recente no dia 27 de maio.

O Sinaeco também questiona o fato de o projeto ser muito extenso e complexo, deveria ser parcelado em lotes por trechos, algo que o Metrô adotou em outras licitações, segundo ela. Diante disso, o Conselheiro do TCE, Sidney Estanislau Beraldo, concedeu um prazo de 48 horas para que a companhia justifique o formato da licitação antes de decidir sobre a concessão ou não da liminar.

Em outras licitações, o Metrô realiza a seleção em duas etapas, uma de pontuação técnica, e outra com os valores propostos, para buscar o melhor compromisso entre qualidade e custo. Não se sabe porque nesse caso esse tipo de metodologia foi escolhida.

Linha 19-Celeste

Com 17,6 km de extensão e 15 estações, ligando o Bosque Maia, em Guarulhos, ao centro da capital paulista, a Linha 19-Celeste faz parte dos planos de expansão da gestão Doria, que tem buscado modelar um formato em que a iniciativa privada arque com praticamente todos os custos, inclusive em relação à cessão dos terrenos necessários para a obra, como afirmou o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, nesta semana durante live em que o site participou.

O projeto básico é condição primordial para que seja possível estimar custos, metodologias e características operacionais da linha e assim definir os critérios da licitação de construção e operação pela iniciativa privada.

Segundo dados levantados pelo site do Metrô-CPTM, o ramal subterrâneo poderá transportar cerca de 630 mil passageiros por dia no trecho Bosque Maia-Vale do Anhangabaú. O tempo de viagem estimado é de 27 minutos e a meta de intervalo mínimo é de 90 segundos com uma frota de 47 trens. Essas composições seguirão o padrão visto na Linha 4-Amarela, ou seja, bitola internacional (1.435 mm), sistema de sinalização CBTC e padrão de automação GoA4, que permite que os trens circulem sem operador.

Todas as 15 estações (Bosque Maia, Guarulhos, Vila Augusta, Dutra, Itapegica, Jardim Julieta, Jardim Brasil, Jardim Japão, Curuçá, Vila Maria, Catumbi, Silva Teles, Pari, São Bento e Anhangabaú) terão plataformas laterais e portas de plataforma. O pátio de manutenção Vila Medeiros, ficará localizado próximo a confluência entre as rodovias Dutra e Fernão Dias, segundo diretrizes preliminares do projeto funcional.

Com conexões com as linhas 2-Verde (Dutra), 11-Coral (Pari), 1-Azul (São Bento) e 3-Vermelha (Anhangabaú), o novo ramal deverá aliviar a rede metroferroviária na Zona Leste e Zona Norte além de retirar milhares de veículos particulares e ônibus das ruas.

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