Alunas da E.E. Cyro Barreiros durante treino
Ricardo Filho/iG Guarulhos
Alunas da escola Cyro Barreiros se preparam para os Jogos Escolares do ano passado: aglomeração durante as atividades é quase inevitável


Entidades que representam os professores das escolas em Guarulhos reagiram ao retorno às aulas em setembro, conforme anúncio do governador João Doria (PSDB), na quarta-feira (24). A subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que representa a categoria nas cidades de Guarulhos , Arujá e Santa Isabel considera, inclusive, a possibilidade de  greve, caso o governo mantenha a posição. A medida também desagradou a Associação das Escolas Particulares de Guarulhos ( AEG ) , mas em outro sentido: os donos de escolas privadas esperavam retorno para julho e agosto.

O imbróglio, no qual nenhum dos lados está de acordo com o governo de São Paulo, forma um triângulo de conflitos e interesses. De um lado estão Apeoesp e Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Guarulhos ( Stap ), que também se opõe ao retorno das aulas em setembro, do outro AEG  e na base o governo de São Paulo , responsável pelas decisões políticas .

As aulas estão suspensas em todo o estado desde março tanto para escolas públicas (estaduais e municipais) quanto para as particulares, por conta da pandemia do novo coronavírus .  O conteúdo que está sendo lecionado de forma remota desde abril, deve voltar a ser passado de forma presencial, pelo menos parcialmente, a partir do dia 8 de setembro.

LEIA TAMBÉM:

São Paulo anuncia plano de reabertura das escolas; veja quando pode acontecer

Segundo a Apeoesp , as escolas estaduais não reúnem condições para retorno: “A maioria de nossas escolas não oferece condições infraestruturais básicas para o pleno funcionamento, de modo a garantir ambientes sem riscos de contaminação , tais como, ventilação adequada; banheiros, salas de aulas e demais dependências devidamente higienizados várias vezes ao dia; disponibilização adequada de funcionários de limpeza; oferta de insumos de higienização para alunos , professores e funcionários”.

O Stap também se manifestou por meio de nota: “É do conhecimento de todos a precariedade do atendimento nos equipamentos de saúde , muito em razão do descaso na preservação do SUS e ainda por conta da falta de interesse do poder público em criar uma política eficaz de combate à pandemia do coronavírus . E é nestas condições que o governo estadual e por consequência, os municipais pretendem expor nossas(os) trabalhadoras(es) da Educação e nossas crianças e jovens? ”, questiona a entidade.

Já a AEG afirma reunir condições de retomada imediata e lamenta o adiamento determinado pelo governo paulista. Segundo o presidente da entidade, Wilson Lourenço , “ninguém quer retomar com risco, mas entendemos que já podíamos iniciar um retorno observando todas as normas de higiene e segurança , como uso de álcool em gelmáscara , distanciamento e uso de equipamentos especiais como o tapete sanitizante, revezamento de turmas com somente 20% dos alunos a cada dia”, ou seja, cada aluno iria para a escola uma vez por semana e acompanharia o restante do conteúdo pela internet.

Greve

Em sua nota, a Apeoesp descreve situações perigosas tanto para professores e funcionários quanto para os alunos e condiciona a volta as aulas ao estabelecimento de protocolos rígidos de higiene e segurança.  Para os professores estaduais, existe um risco potencial de contágio nas condições atuais das escolas, com problemas que vão desde a higiene à aglomeração de alunos, e a volta só seria possível com a descoberta de uma vacina contra a Covid-19 , o que deve levar de seis meses a um ano pelo menos para ficar comercialmente disponível. No comunicado, os professores reiteram ser contra o retorno das atividades escolares presenciais e afirmam que “caso o governo Dória insista no cumprimento do calendário anunciado, sem o devido envolvimento das entidades representativas do magistério e da comunidade escolar, a Apeoesp discutirá com a categoria a possibilidade de greve , de modo que as necessidades em defesa da vida de alunos e dos profissionais da educação sejam prioritariamente atendidas”. 

Excludente

De acordo com a secretária de Política Sindical da entidade, Ozani Martiniano de Souza , antes de se pensar no retorno às aulas seria preciso estabelecer uma articulação entre as autoridades de saúde e educação que garantisse segurança ao ambiente escolar, com a adoção de medidas protocolares preventivas, “como a obrigatória garantia de testes a todos os professores , funcionários e estudantes; a distribuição de insumos de proteção individual (mascaras, álcool gel), normas de higienização dos ambientes, e sobretudo, a garantia do distanciamento social com o desdobramento de turmas”.

A Apeoesp critica ainda a forma escolhida para ensino à distância e classifica como “limitado” e “excludente, uma vez que milhões de estudantes não possuem tecnologia para acessar as plataformas, e é privatizante, pois as plataformas digitais servem de instrumentos para a venda de pacotes educacionais”.

Governo de São Paulo

Por meio de nota da Secretaria de Educacão, o governo de São Paulo se manifestou. Afirmou que "planeja este retorno pautado em medidas de contenção da epidemia, atendendo aos interesses da população e sem colocar nenhuma vida em risco. Somente quando todas as regiões do estado permanecerem na etapa amarela – a terceira menos restritiva segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia – por 28 dias consecutivos é que será possível reabrir as escolas. A definição da volta às aulas presenciais no Estado de São Paulo acontecerá sempre pensando em proteger e salvar vidas".


Matéria atualizada dia 29 de junho de 2020, às 23h32



    Veja Também

      Mostrar mais