Hospital de campanha
Divulgação/Prefeitura de Guarulhos
Para a prefeitura, as inconformidades indicadas pelo médico fiscal não condizem com a realidade,, uma vez que atende às normas legais


Vistoria do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) no hospital de campanha de Guarulhos , referência municipal no tratamento à covid-19 , apontaram problemas operacionais, que podem comprometer a saúde de médicos , funcionários e pacientes . Segundo a entidade, na fiscalização , ocorrida em 4 de junho e divulgada somente agora, os técnicos do Cremesp identificaram situações que consideraram irregulares de acordo com os protocolos sanitários e de saúde adotados desde o início da pandemia do novo coronavírus . A prefeitura nega as ocorrências. Segundo a administração, as inconformidades indicadas pelo médico-fiscal não condizem com a realidade, uma vez que o hospital de campanha atende a todas as normas legais (veja abaixo).

Entre os problemas relatados pela entidade médica, pacientes que testaram positivo ao lado daqueles apenas com suspeita da covid-19 ; separação entre leitos inferior a um metro; falta de higiene em consultórios; pessoas transitando por todo o hospital livremente e sem identificação; condições inadequadas de entrega e controle de equipamentos de proteção individual ( EPIs ); além de apurar que alguns profissionais levavam as máscaras para casa, ampliando o risco de contaminação, entre outras condições descritas como inapropriadas pela entidade ( veja aqui ).

Para a médica Irene Abramovich , presidente do Cremesp , as fiscalizações feitas pelo Conselho são essenciais para que médicos, pacientes e funcionários dos hospitais passem pela pandemia com menores chances de contágios , além de ser atribuição legal do órgão, que é uma autarquia pública e conta com médicos fiscais de carreira, técnicos concursados, que possuem autoridade garantida por lei para fiscalizar instituições onde se pratica a medicina e, portanto, seus relatórios têm fé pública.

"Até agora, durante as fiscalizações que temos concluído, os achados condizem também com as denúncias reportadas na mídia e com relatos de médicos e pacientes. O Cremesp seguirá atuando na fiscalização dos serviços, para garantir a proteção não apenas de médicos, mas de toda a sociedade, no enfrentamento da pandemia", comenta.

Outro lado

Com relação à fiscalização do Cremesp no Hospital de Campanha de Guarulhos ( 3CGRU ), conforme divulgação feita à mídia, a Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos informa que o Instituto Medizin de SaúdeIMEDIS , que administra o 3CGRU, faz os seguintes esclarecimentos:

As inconformidades indicadas pelo médico fiscal não condizem com a realidade, uma vez que o Centro de Combate ao Coronavírus de Guarulhos (3CGRU) atende às normas legais, realizando importante serviço de combate a pandemia com mais de 81% de pessoas curadas.

Outrossim, a equipe de profissionais que trabalha no local conta com médicos renomados e com especialidade nas diversas áreas da medicina, bem como titulação de intensivistas, infectologista e outras para o combate ao Covid-19. Ao contrário do afirmado no relatório, trabalham no Hospital de Campanha 25 médicos por dia, totalizando 750 plantões médicos por mês, conforme escala enviada ao próprio Conselho Regional de Medicina. Portanto, é incabível a alegação de dois médicos por plantão.

No que tange à afirmativa do não fornecimento de máscaras cirúrgicas para os pacientes, a foto tirada pelo fiscal é da recepção do Hospital, ou seja, da entrada inicial do pedestre para triagem. Portanto, não se trata de pacientes em atendimento médico e sim de triagem. Ademais, conforme dispõe a nota técnica 04/2020, da ANVISA, no serviço de triagem é permitida a utilização de máscara de tecido.

Sendo assim, diferentemente do relatado no documento do Cremesp, foram adquiridos para o Hospital de Campanha de Guarulhos mais de 50 mil máscaras e mais de 80 mil itens de Equipamento de Proteção Individuais – EPIs, mesmo com a dificuldade de compras sofridas neste momento de pandemia. Todo este material é contabilizado por sistema automatizado de controle, que já aponta uma movimentação de mais de 170 mil itens, dados que contradizem a informação do fiscal.

Além disso, no que se refere ao laboratório de análises clínicas, mais de 18.700 exames foram realizados no período de 1º de abril a 24 de maio. Outro ponto que não condiz com a realidade é a informação de que o espaço entre as camas é menor que um metro, uma vez que cada divisória tem exatamente um metro e as camas ficam entre elas, justamente para respeitar o fluxo dos profissionais para atendimento dos pacientes.

Também não procedem as anotações a respeito do avental utilizado no Hospital de Campanha, que é de manga longa com punho elástico – soft 40g/m2.

 Quanto à informação de que o Hospital não atende à Resolução de nº 7 de 24 de fevereiro de 2010 e RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002, ela é sem fundamento e não indica dados pontuais que possam levar à conclusão que o local apresenta risco, já que a quantidade de pessoas curadas e os atendimentos prestados pelo 3CGRU demonstram total eficácia do Hospital de Campanha de Guarulhos.

Por fim, o Instituto Medizin de Saúde esclarece que algumas fotos apresentadas no relatório não representam os ambientes do Hospital como é o caso do conforto médico, entre outros, o que descaracteriza as demais alegações neste sentido, como, por exemplo, a de uma suposta falta de pias no local.

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