Aglomeração dentro das lojas no calçadão da rua D. pedro II
Ricardo Filho/iG Guarulhos
Comerciantes não exigiram e consumidores não mantiveram distanciamento determinado em decreto na retomada das atividades de comércio


Uma multidão foi às ruas do centro no primeiro dia de flexibilização do comércio em Guarulhos, na manhã desta sexta-feira (12). No Calçadão da rua D. Pedro II , pessoas se aglomerava em filas na entrada das lojas , especialmente no trecho entre a rua Luiz Gama e a Capitão Gabriel com Ladeira Campos Sales, como se o risco de Covid-19 tivesse simplesmente desaparecido após a publicação do decreto antecipando a abertura de boa parte dos estabelecimentos , na quarta-feira (10).

Apesar do boletim epidemiológico desta sexta registrar a morte de 362 pessoas e 4.237 casos positivos para coronavírus , o comércio foi reaberto e as pessoas foram ás compras entusiasmadas. O atendimento nas lojas aparentemente seguia a determinação legal sobre a reabertura do comércio , mas na prática o que se viu foi uma demanda muito grande de pessoas ávidas por consumo . Algumas lojas fizeram vistas grossas para a junção de pessoas em seus espaços diminutos e permitiram a entrada de grupos de pessoas. Com isso a aglomeração acabou acontecendo, sobretudo nas lojas menores. A fiscalização estava lá na D. Pedro II, mas a designação de oito funcionários para cobrir o centro popular de compras da cidade pareceu insuficiente.

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Nas lojas de porte médio e grande o que se viu foi aferição da temperatura corporal e aplicação de álcool em gel nas mãos dos clientes logo na entrada do comércio. Também havia a consulta por rádio da ‘portaria’ aos departamentos para saber quando poderia haver liberação de novos compradores. Nas lojas menores, contudo, isso não aconteceu e as pessoas formavam aglomerações. Uma loja de armarinhos fazia a retenção de pessoas na entrada, mas não foi eficiente para evitar o volume de compradores na parte interna do estabelecimento – do mesmo modo, a fila no lado de fora ia de um lado a outro de um estacionamento.

Na porta de uma grande loja de magazine a mulher que preferiu não se identificar queria comprar uma panela elétrica para preparo de arroz. Passou pelo padrão de atendimento de aferição de temperatura para identificar febre, recebeu um esguicho de álcool em gel nas mãos e, antes do passo seguinte para o interior do estabelecimento, teve de esperar a checagem sobre disponibilidade de atendimento imediato no departamento para onde ela se dirigia. Após a checagem recebeu um “ok” e pode ingressar. Questionado se durante o trabalho havia identificado alguém com febre, o funcionário responsável pelo acesso respondeu com sorriso: “Graças a Deus, não!”

Pulverização

Num condomínio de lojas antigo do centro tinha fila de cerca de 20 metros na entrada. O atendimento obedecia ao mesmo padrão das grandes lojas. Do lado de dentro muita gente no corredor de acesso os pontos de comércio. Fora, um trator da Farma Conde com pulverizador borrifava substância antisséptica no ar (e nas pessoas). A desinfecção ocorreu por duas vezes entre as 9h e 14h, informou um funcionário da Proguaru. A ação, segundo a prefeitura, é uma doação da empresa Farma Conde e acontece simultaneamente em diversas regiões do município na sexta (12) e sábado (13). A substância pulverizada é uma solução de água com cloro borrifada nos pontos de maior aglomeração.

Pulverização do Calçadão da D. Pedro II
Ricardo Filho/iG Guarulhos
Empresa cedeu á prefeitura 11 tratores para pulverização de ruas do centro e bairros mais movimentados com solução de água e cloro


Por todo o quadrilátero, formado pelas ruas Sete de Setembro, Capitão Gabriel, Dom Pedro II e João Gonçalves havia muita aglomeração. Nas ruas XV de Novembro, trecho de rolagem da D. Pedro II e Luiz Gama, trânsito congestionado. Da mesma forma, o trecho de junção entre as Av. Monteiro Lobato com João Gonçalves. Após o cruzamento com a sete de Setembro, porém, o trânsito se dispersava.

Prefeitura

A reportagem do iG enviou questionamentos a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SDU) sobre o balanço deste primeiro dia de abertura do comércio. O órgão informou que “intensificou a fiscalização orientativa, mas alguns estabelecimentos também foram notificados por estarem em descumprimento com o decreto”. De acordo com a SDU, os maiores problemas são a falta de controle no acesso e consequentemente a aglomeração e o desrespeito ao horário de encerramento das atividades.

“A SDU ainda está em fase de conclusão do balanço final deste sábado, já que os shoppings devem encerrar suas atividades as 20h e a fiscalização irá acompanhar. Mas, até o momento, mais de 100 estabelecimentos foram visitados pela fiscalização em diversos bairros da cidade”, informou. A prefeitura assegurou ainda que “os comerciantes estão empenhando todos os esforços para se adaptar às novas regras de funcionamento em tempos de pandemia. É importante ressaltar que muitos estabelecimentos estavam funcionando em plena conformidade com o estipulado pelo governo municipal”, concluiu. De todo modo, a SDU  afirmou que nos próximos dias “irá intensificar as fiscalizações nos estabelecimentos comerciais”.

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